sexta-feira, 1 de junho de 2012
Cupcake nordestino
O primo pobre do cupcake
Tudo bem, eu sou implicante. Mas não tem que aguente aquela voz insuportável de quem parece que tem uma pitomba presa na garganta - digo, da Carolina Ferraz, na novela Avenida Brasil - falando em cupcake. Vocês observaram quantas vezes ela repetiu a mesma palavra num só dia? Ainda bem que as barraqueiras xikis e chifradas acabaram a inauguração da loja. Ia ter quem aguentasse a Globo querendo enfiar o hábito de falar cupcakes? Daqui a pouco não teria um batizado, um aniversário, um casamento, um enterro, uma vaquejada sem cupcakes. Aliás, em termos de costumes, essa novela não perde pra nenhuma. Nina não acerta uma naquela mania de vingança mas todo dia faz a felicidade dos suburbanos com comidinhas diferentes. Aposto que metade do Brasil está fuçando o google atrás das receitas. E aquelas degustações pre-festa oferecida pelo serviço de buffet? Outro dia vi que já tem até buffet de churrasco. Daqui a pouco vai ter um buffet de buchada. Ou será que já tem? Tá, voltando à novela, também teve aquela aula sobre como abrir uma garrafa de vinho. Xikiteza ao alcance de todos enche o saco. Agora que todo mundo pode ter tudo desde que pendurado nos crediários e empréstimos, vamos explorar a gastronomia e os hábitos mais sofisticados. Como é duro aprender a ser phino!
Eu, graças a Deus, continuo fiel ao meu velho bolo de bacia que tem em todo lugar mas em poucos são bem feitos como merecem e precisam ser. Melhor do que isso só caldo de cana com pão doce. E bolo de caco com café bem fresquinho? Afffffff..... Viva a gastronomia sem frescura, aquela que a gente come todo dia na casa da maioria que tem o que comer porque existem muitos que nem isso. É o que precisamos aprender: valorizar o que temos e nos preocuparmos com quem não tem. Buscar alternativas para transformar o mundo em algo mais justo e humano. Depois, quem quiser pode comer seus cupcakes para se sentir distinto. Fique à vontade. Eu continuarei fiel ao meu bolo de bacia. Isto é, se ainda sobrar alguém que tenha a receita. Pronto, falei.
ML
quinta-feira, 31 de maio de 2012
IP TAMBÉM É ARTE: o artesanato de Federalina Quaresma
Visite o face de Federalina Quaresma e vc vai conhecer melhor a qualidade e bom gosto dos seus trabalhos.
Sei que em IP tem muita gente com habilidades . Se você também faz artesanato ou qualquer arte e quer expor em nosso blog, mande as imagens para o e-mail luiza_ipaumirim@yahoo.com.br
quarta-feira, 30 de maio de 2012
João Bosco Macedo - 70 anos
João, parabéns pelo seu aniversário. Que Deus lhe dê muitos anos a mais de vida com saúde, paz, felicidade, amor e sucesso junto aos familiares de amigos. São os nossos desejos e acredito que sejam de todas as pessoas de IP que longe ou perto sempre desfrutaram da sua amizade.
Abaixo está o vídeo que Zê mandou fazer especialmente para este dia. Acho que ele reflete na sua singeleza o sentimento dela e de todos os amigos. A produção é de Cleidinha Santos.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Ao povo o que é do povo (Mauro Santayanna)
(JB) - As tentativas de apaziguamento e de acordos discretos não reduziram o medo, quase pânico, que sacode as glândulas de numerosos homens públicos. A miniaturização dos processos de captação de voz e de imagem torna qualquer conversa um risco. Muitos deles começam a buscar, na memória, frases ditas sem cuidados e sem malícia, pelo telefone, ou pessoalmente, a pessoas de pouca confiança. Teme-se, e com alguma razão, que a manipulação dos registros de voz torne qualquer conversa um libelo. Não obstante o medo, e, provavelmente, o surgimento de suspeitas infundadas contra homens honrados, o vendaval será saudável.
Há décadas que o público e o privado se tornaram uma coisa só, na vida brasileira. Apesar da luta permanente de inúmeros representantes do povo, nas casas parlamentares e no poder executivo, e de magistrados de lisura incontestável, contra o assalto ao bem comum, todos os poderes republicanos se encontram infestados, principalmente a partir do desmonte do Estado, pelo neoliberalismo. Para que isso fosse possível, mudaram-se as leis, para que tudo fosse permitido em favor do mercado, até mesmo a entrega dos bens nacionais aos aventureiros, e a equiparação, na contramão do que acontece em potências como a China, de empresa estrangeira a empresa nacional.
Embora em casos isolados, comprovou-se também a canalhice de juízes vendedores de sentenças, quando não cúmplices de superfaturamento de obras do Poder Judiciário, como ocorreu com conhecido magistrado trabalhista de São Paulo. Os juízes podem errar, e erram, mas os seus votos não podem submeter-se a outra instância que não seja a da reta consciência.
A mais grave infecção é a que afeta o Poder Legislativo. Ainda que, no imaginário popular, o mais alto poder se localize na Presidência da República, ele está no Congresso Nacional. O Congresso é, em sua missão republicana, o povo reunido, para ditar as leis, fiscalizar seu cumprimento pelo poder executivo, e decidir, com o seu consentimento, a formação do mais alto tribunal da República, encarregado de assegurar o cumprimento dos preceitos constitucionais, o STF. Os vícios de nossos ritos eleitorais comprometem a composição das casas parlamentares. Não são os partidos que formam as bancadas, mas, sim, os interesses corporativos, e até mesmo as associações de celerados. Como estamos comprovando, o crime organizado também envia aos parlamentos os seus representantes.
Enganam-se os que supõem ser possível domar a Comissão; ela vacila nessas primeiras horas, mas isso não indica claudicação duradoura. Há alguns meses, neste mesmo espaço, lembramos que um poder adormecido começa a despertar, aqui e no mundo: o poder dos cidadãos.
A tecnologia trouxe muitos males, mas também a ágora para dentro de casa. E a consciência da responsabilidade de cada um faz com que as praças do mundo inteiro se tornem a ágora comum, para a afirmação de uma humanidade que parecia perdida. A Grécia volta a ser o exemplo da razão política, que deve prevalecer sobre o que Viviane Forester chamou de “l’horreur économique”. O povo grego está vencendo, com seu destemor, a poderosa coligação de banqueiros, sob a proteção da Alemanha, e se recusando a pagar, com o desemprego e a miséria, a crise atual do capitalismo predador.
A ação investigatória, entre nós, não pode conduzir-se pela insensatez das caças às bruxas, nem os protestos dos cidadãos serem manipulados pelo poder econômico. Não estamos mais no tempo das fogueiras, mas na civilização dos direitos fundamentais do homem. Toda punição aos culpados, se a culpa for estabelecida, terá que obedecer aos mandamentos da lei, com o pleno direito de defesa. E, confirmado o peculato, os valores desviados devem ser devolvidos ao Tesouro.
Os principais envolvidos nas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público estão sendo assistidos por advogados caros e reputados como competentes. Eles cumprem o seu dever, definido por uma carta famosa de Ruy Barbosa a Evaristo de Moraes: qualquer réu tem o direito de defesa, e seu advogado deve empregar todo seu conhecimento e toda sua inteligência no cumprimento do mandato.
Sem o furor dos savonarolas, mas com o rigor da lei e da justiça, a CPI e, em seguida, o Poder Judiciário, são chamados a restabelecer a ordem do estado republicano e democrático, que se fundamenta na administração transparente dos bens comuns, no benefício de todos. É hora de reconstruir o Estado e, assim, devolver ao povo o que só ao povo pertence.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
As 10 atrizes mais bonitas de todos os tempos – a lista das listas
Carlos Willian Leite
Para se chegar ao resultado fiz uma compilação de listas publicadas por sites especializados em listas sobre cinema e personalidades iconográficas. O objetivo de minha pesquisa era identificar, baseado nestas listas, quais eram as mulheres mais bonitas da história do cinema em todos os tempos. Participaram do levantamento as publicações: “Premiere”, “Empire”, “Men’s Health”, “Los Angeles Times” e “IMDb”. Abaixo, em ordem classificatória, as 10 atrizes selecionadas baseadas no número de citações das publicações pesquisadas.
Audrey Hepburn
Audrey Hepburn modelo, atriz e humanista belga, considerada a atriz de Hollywood mais bonita da história. Nasceu em 4 de maio de 1929. Seus principais filmes são “Bonequinha de Luxo” e “A Princesa e o Plebeu”, pelo qual recebeu o Oscar de melhor atriz. Em 1993 foi diagnosticada com câncer de apêndice, que se espalhou para o cólon. Morreu na noite de 20 de janeiro de 1993, aos 63 anos. Faz parte da lista das 50 maiores lendas do cinema, do American Film Institute.
Grace Kelly
Grace Kelly, atriz norte-americana. Nasceu em 12 de novembro de 1929. Seus principais filmes são “Janela Indiscreta” e “Disque M para Matar”, ambos de Alfred Hitchcock, e “Amar é Sofrer”, de George Seaton, pelo qual ganhou o Oscar. Morreu em 14 de setembro de 1982, aos 52 anos, após sofrer um derrame cerebral depois de um acidente de carro. Faz parte da lista das 50 maiores lendas do cinema, do American Film Institute.
Marilyn Monroe
Marilyn Monroe, atriz norte-americana e uma das mais famosas estrelas do cinema em todos os tempos. Nasceu em 1 de junho de 1926. Seus principais filmes são “O Pecado Mora ao Lado” e “Quanto mais Quente Melhor”, ambos dirigidos por Billy Wilder. Morreu na manhã de 5 de agosto de 1962, aos 36 anos, de overdose pela ingestão de barbitúricos. Faz parte da lista das 50 maiores lendas do cinema, do American Film Institute.
Sophia Loren,
Sophia Loren, considerada umas das maiores atrizes italianas de todos os tempos. Nasceu em 20 de setembro de 1934. Trabalhou com grandes diretores como Vittorio De Sica, Federico Fellini, Ettore Scola, Robert Altman e Lina Wertmüller. Em 1962 recebeu o Oscar de melhor atriz pelo filme “Duas Mulheres”, que também lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Faz parte da lista das 50 maiores lendas do cinema, do American Film Institute.
Brigitte Bardot,
Brigitte Bardot, atriz e cantora francesa, considerada o grande símbolo sexual dos anos 50 e 1960. Nasceu 28 de Setembro de 1934. Seus principais filmes são “O Desprezo”, de Jean-Luc Godard, e “Vida Privada”, de Louis Malle. No verão de 1964, Brigitte Bardot mudou a vida de uma pequena cidade do litoral do Rio de Janeiro chamada Armação dos Búzios, onde ficou hospedada em suas visitas pelo Brasil. Depois de sua visita Búzios virou município e tornou-se um dos pontos mais sofisticados e procurados do verão brasileiro.
Ava Gardner
Ava Gardner, atriz inglesa, considerada umas das grandes estrelas do século 20. Nasceu em 24 de dezembro de 1922. Foi casada com o cantor Frank Sinatra. Seus principais filmes são “A Condessa Descalça”, dirigido por Joseph L. Mankiewicz, e “A Noite de Iguana”, dirigido por John Huston. O poeta Jean Cocteau a definiu como o “mais belo animal do mundo”. Morreu em 25 de janeiro de 1990, aos 68 anos, em consequência de um acidente vascular cerebral. Faz parte da lista das 50 maiores lendas do cinema, do American Film Institute.
Elizabeth Taylor
Elizabeth Taylor, uma das mais premiadas atrizes de todos os tempos. Nasceu 27 de fevereiro de 1932. Seus principais filmes são “Um lugar ao Sol”, “Assim Caminha a Humanidade”, “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?” e “Disque Butterfield 8”, nos dois últimos ganhou o Oscar na categoria de melhor atriz. Morreu em 23 de março de 2011, aos 79 anos, de insuficiência cardíaca. Faz parte da lista das 50 maiores lendas do cinema, do American Film Institute.
Lauren Bacall
Lauren Bacall, a mais importante atriz do cinema noir. Nasceu em 16 de setembro de 1924. Foi casada com o ator Humphrey Bogart, de 1945 a 1957, com quem teve dois filhos. Seus principais filmes são “Uma Aventura na Martinica”, “À Beira do Abismo”, “Como Agarrar um Milionário” e “Paixões em Fúria”. Faz parte da lista das 50 maiores lendas do cinema, do American Film Institute.
Rita Hayworth
Rita Hayworth, atriz norte-americana considerada um dos maiores mitos da história do cinema. Nasceu em 17 de outubro de 1918. Foi casada com o diretor Orson Welles. Seus principais filmes são “Bonita Como Nunca”, “Gilda”, “Quando os Deuses Amam”, “A Dama de Xangai”, “Salomé” e “Meus Dois Carinhos”. Morreu em 14 de maio de 1987, aos 69 anos, vítima do mal de Alzheimer. Faz parte da lista das 50 maiores lendas do cinema, do American Film Institute.
Vivien Leigh
Vivien Leigh, atriz inglesa nascida na Índia (quando este país ainda pertencia ao Império Britânico), considerada uma das mais importantes personalidades do século 20. Nasceu em 5 de novembro de 1913. Foi casada com o diretor Laurence Olivier. Seus principais filmes são “E o Vento Levou” e “Um Bonde Chamado Desejo”, pelos quais ganhou o Oscar de melhor atriz. Morreu em 7 de julho de 1967, aos 53 anos, em consequência da tuberculose. Faz parte da lista das 50 maiores lendas do cinema, do American Film Institute.
sábado, 26 de maio de 2012
Quando a hipocrisia é o limite
Suelen e o imperdoável orgulho vadia
Por Miguel Rios
Suelen é a farpa no horário das 21h. É quem desagrada, quem lateja, em
Avenida Brasil. Esqueça Carminha e suas maldades e hipocrisias. Esqueça Nina e
sua incompetência vingativa. Esqueça as peruas pedantes. Esqueça os enganados
Tufão e Jorginho. Esqueça qualquer um. Suelen incomoda por ela ter se metido na
pouca roupa da periguete assumida, da biscate sem culpas, da vadia de corpão e
alma desprendidos.
Ela é a prova de como o sexo inquieta. Como irrita. Sexo, sexo mesmo. O devasso. O sem compromisso, sem romance, o por tesão e só. Como ele continua tabu. Desautorizado.
Como o obsceno nos espanta. Como mulheres Suelen tremem as estruturas, reviram as entranhas, emergem o ódio formatado. Como um bustiê, uma calça de lycra, uma cintura marcada, seios em decote, correntinha nos quadris e um rebolado desinibido causam tanta raiva.
Ser vadia, das assumidas, das debochadas, das que passam na cara, é pedir pedradas. Desde os tempos bíblicos, as pedradas perduram. Ninguém se nega a jogar a primeira. Como se quer incriminá-las, se quer puni-las, erradicá-las. Como se joga nelas a responsabilidade até de alguma violência que sofrem, pelo pecado franco e ambulante que são.
Nestes tempos de guerra à intolerância, não se reconhece o direito ao periguetismo. Nem se imagina a possibilidade de um dia reconhecer. Quando se trata de sexo liberto nem se discute. De antemão, se decreta: está errado. Quem não se submete não serve.
Caso de Suelen. Avistá-la deixa os caras acesos. Testosterona pulsando. Normal. Impulso sexual, primitivo. “Homem é assim mesmo”, grita a claque.
E ela quer ser desejada, quer os olhares e não tem vergonha de querer. Exibe o desejo. Adora transar e o faz quando tem vontade. Não se priva. Desobedece à cartilha, deixou de ser lacaia do recato, do adequado. Decidiu ser cachorra e não tchutchuca.
Revolta da claque. Mulher não tem direito a hormônios, a impulso sexual. “Mulher nunca pode”, “se fez, tem que se arrepender, se converter”. Mas a mulher Suelen encara as pedras, paga o preço, se recusa a rezar pelo catecismo escravizador do “eu não posso”, “eu não devo”, “o povo vai falar”, “preciso me valorizar”.
Aí vem o sermão religioso. De que se perdeu, de que é a vergonha do sexo feminino. E vem acompanhado pelo sermão cultural. De que é escrava do machismo, se tornou objeto, de que é vergonha para o sexo feminino.
Como ainda caímos nos engodos do senso comum. Como o conservadorismo se transmuta. Como a moral burguesa é ladina. Como nossas avós condenavam as que “se perdiam” à expulsão, à repulsa e ao esquecimento. E como censuramos a que resolveu ter muitos homens, a que pega quem quer. A que igualou o jogo: “Se a eles é permitido, a mim também”.
Quando se trata de sexo, sexo livre, livre mesmo, do feroz, nos encolhemos. Constrange. Até os libertários, os esclarecidos, recuam, abrem espaço de fininho, se vitimam. Culpam a mídia por espalhar o vírus vadia. Capazes de inventar, dentro em pouco, uma ameaça de ditadura biscate.
O conceito da boa moça e do bom moço, não tem jeito, emerge, sobressai, contagia. Como ainda as correntes puritanas nos seguram. Como é complicado destravar este cadeado. A cela até se ampliou, mas não se abriu.
Sexo solto nos importuna. Sempre tido como errado, fora de propósito. Chamar de apelativo virou praxe, facilita, se concorda fácil. Nunca é visto como o que faz parte, o natural, o libertador, a escolha pessoal.
Como o sexo sem o “isso não pode”, o “isso eu não faço”, o “aí não” nos é espinhoso. E tentador. Como queremos puxão de cabelo, local impróprio, xingamentos e palavrões. Como a pornografia seduz. Como é essencial para satisfação solitária ou esquentar relacionamento. Como temos fantasias inconfessáveis.
E como é diário. Como viramos a cabeça para olhar bundas, receber um retorno. Como quem está dentro dos padrões de gostosura e se expõe, se vangloria, se faz safado, nos atrai. E como nos envergonhamos de confessar o que sentimos. Como negamos.
Defendemos o direito da mulher a usar a roupa que usar sem ser violentada, mas, lá dentro, a beata aguarda vigilante. Basta uma Suelen passar por nós e já vem, no automático, à mente: “Que rapariga!” Quantos não saem de uma marcha das vadias para criticar Valesca Popozuda e a Mulher-Melancia? Quantos “que rapariga!” já não dirigiram a elas?
Como aceitamos bem mais as canalhas, as vigaristas, desde que sejam resguardadas, classudas. Pode ser desalmada como a madrasta de Branca de Neve, pode ser prepotente como Miranda Priestly em o Diabo veste Prada. Ganham maior simpatia que uma Suelen. Tudo se perdoa, menos o sexo desatado, desavergonhado, evidente, vivido na boa.
Uma periguete é para as comportadas o que um efeminado é para os másculos. A chance de sair por cima. Preconceito tem tal serventia. De apontar o dedo e se autoafirmar: “Eu sou melhor. Eu sigo as regras, a sociedade me aprova e não a essa vagabunda”.
Como atacar com “vagabunda” e “veado” nos esteriliza, nos eleva. Como precisamos nos mostrar um patamar acima. Como o queixo erguido, um tom de voz superior, um ataque de pedestal nos são vitais. Como precisamos subir nas costas dos outros, fazê-los de escada, para acenar vitoriosos. Como repetimos padrões antigos e damos nova roupagem. Como perpetuamos a ditadura de decidir pelo outro com a desculpa de protegê-lo dele mesmo. Como somos excludentes descarados.
É que nos dói ver o desabonado seguir em frente, nem tchu pra nós. Dói saber que há gente com vontade própria, que, por opção, rompeu com leis arcaicas tipo mulher que presta é mulher pouco usada, que decência rima e é sinônimo de inocência. De que deve ser humilhado quem estiver desencaixado.
Fazer o quê? Se Xuxa enriqueceu, mudou, tentou apagar o passado pornô soft, e ainda hoje paga por ele, com o dedo do Brasil apontado para sua cara, a desacreditando, a acusando de sem moral para qualquer ato, uma insolente Suelen da vida está destinada a ser destratada até por uma falsa e traiçoeira, porém senhora casada, Carminha da vida. E como Carminha tem nosso consentimento.
Ela é a prova de como o sexo inquieta. Como irrita. Sexo, sexo mesmo. O devasso. O sem compromisso, sem romance, o por tesão e só. Como ele continua tabu. Desautorizado.
Como o obsceno nos espanta. Como mulheres Suelen tremem as estruturas, reviram as entranhas, emergem o ódio formatado. Como um bustiê, uma calça de lycra, uma cintura marcada, seios em decote, correntinha nos quadris e um rebolado desinibido causam tanta raiva.
Ser vadia, das assumidas, das debochadas, das que passam na cara, é pedir pedradas. Desde os tempos bíblicos, as pedradas perduram. Ninguém se nega a jogar a primeira. Como se quer incriminá-las, se quer puni-las, erradicá-las. Como se joga nelas a responsabilidade até de alguma violência que sofrem, pelo pecado franco e ambulante que são.
Nestes tempos de guerra à intolerância, não se reconhece o direito ao periguetismo. Nem se imagina a possibilidade de um dia reconhecer. Quando se trata de sexo liberto nem se discute. De antemão, se decreta: está errado. Quem não se submete não serve.
Caso de Suelen. Avistá-la deixa os caras acesos. Testosterona pulsando. Normal. Impulso sexual, primitivo. “Homem é assim mesmo”, grita a claque.
E ela quer ser desejada, quer os olhares e não tem vergonha de querer. Exibe o desejo. Adora transar e o faz quando tem vontade. Não se priva. Desobedece à cartilha, deixou de ser lacaia do recato, do adequado. Decidiu ser cachorra e não tchutchuca.
Revolta da claque. Mulher não tem direito a hormônios, a impulso sexual. “Mulher nunca pode”, “se fez, tem que se arrepender, se converter”. Mas a mulher Suelen encara as pedras, paga o preço, se recusa a rezar pelo catecismo escravizador do “eu não posso”, “eu não devo”, “o povo vai falar”, “preciso me valorizar”.
Aí vem o sermão religioso. De que se perdeu, de que é a vergonha do sexo feminino. E vem acompanhado pelo sermão cultural. De que é escrava do machismo, se tornou objeto, de que é vergonha para o sexo feminino.
Como ainda caímos nos engodos do senso comum. Como o conservadorismo se transmuta. Como a moral burguesa é ladina. Como nossas avós condenavam as que “se perdiam” à expulsão, à repulsa e ao esquecimento. E como censuramos a que resolveu ter muitos homens, a que pega quem quer. A que igualou o jogo: “Se a eles é permitido, a mim também”.
Quando se trata de sexo, sexo livre, livre mesmo, do feroz, nos encolhemos. Constrange. Até os libertários, os esclarecidos, recuam, abrem espaço de fininho, se vitimam. Culpam a mídia por espalhar o vírus vadia. Capazes de inventar, dentro em pouco, uma ameaça de ditadura biscate.
O conceito da boa moça e do bom moço, não tem jeito, emerge, sobressai, contagia. Como ainda as correntes puritanas nos seguram. Como é complicado destravar este cadeado. A cela até se ampliou, mas não se abriu.
Sexo solto nos importuna. Sempre tido como errado, fora de propósito. Chamar de apelativo virou praxe, facilita, se concorda fácil. Nunca é visto como o que faz parte, o natural, o libertador, a escolha pessoal.
Como o sexo sem o “isso não pode”, o “isso eu não faço”, o “aí não” nos é espinhoso. E tentador. Como queremos puxão de cabelo, local impróprio, xingamentos e palavrões. Como a pornografia seduz. Como é essencial para satisfação solitária ou esquentar relacionamento. Como temos fantasias inconfessáveis.
E como é diário. Como viramos a cabeça para olhar bundas, receber um retorno. Como quem está dentro dos padrões de gostosura e se expõe, se vangloria, se faz safado, nos atrai. E como nos envergonhamos de confessar o que sentimos. Como negamos.
Defendemos o direito da mulher a usar a roupa que usar sem ser violentada, mas, lá dentro, a beata aguarda vigilante. Basta uma Suelen passar por nós e já vem, no automático, à mente: “Que rapariga!” Quantos não saem de uma marcha das vadias para criticar Valesca Popozuda e a Mulher-Melancia? Quantos “que rapariga!” já não dirigiram a elas?
Como aceitamos bem mais as canalhas, as vigaristas, desde que sejam resguardadas, classudas. Pode ser desalmada como a madrasta de Branca de Neve, pode ser prepotente como Miranda Priestly em o Diabo veste Prada. Ganham maior simpatia que uma Suelen. Tudo se perdoa, menos o sexo desatado, desavergonhado, evidente, vivido na boa.
Uma periguete é para as comportadas o que um efeminado é para os másculos. A chance de sair por cima. Preconceito tem tal serventia. De apontar o dedo e se autoafirmar: “Eu sou melhor. Eu sigo as regras, a sociedade me aprova e não a essa vagabunda”.
Como atacar com “vagabunda” e “veado” nos esteriliza, nos eleva. Como precisamos nos mostrar um patamar acima. Como o queixo erguido, um tom de voz superior, um ataque de pedestal nos são vitais. Como precisamos subir nas costas dos outros, fazê-los de escada, para acenar vitoriosos. Como repetimos padrões antigos e damos nova roupagem. Como perpetuamos a ditadura de decidir pelo outro com a desculpa de protegê-lo dele mesmo. Como somos excludentes descarados.
É que nos dói ver o desabonado seguir em frente, nem tchu pra nós. Dói saber que há gente com vontade própria, que, por opção, rompeu com leis arcaicas tipo mulher que presta é mulher pouco usada, que decência rima e é sinônimo de inocência. De que deve ser humilhado quem estiver desencaixado.
Fazer o quê? Se Xuxa enriqueceu, mudou, tentou apagar o passado pornô soft, e ainda hoje paga por ele, com o dedo do Brasil apontado para sua cara, a desacreditando, a acusando de sem moral para qualquer ato, uma insolente Suelen da vida está destinada a ser destratada até por uma falsa e traiçoeira, porém senhora casada, Carminha da vida. E como Carminha tem nosso consentimento.
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